domingo, 20 de maio de 2007

Pomba lazarenta

Final de semana perfeito. A festinha de aniversário foi bem legal. Eu conhecia somente a aniversariante e um casal de amigos gays. Tava tudo tranquilinho, um sanduíche de metro pairava sobre a mesa de jantar esperando ser atacado. Além do sanduíche, croquete e empadinha de frango. Pra variar, eu de dieta. Olhava para aqueles salgadinhos com raiva, tentando controlar minha mente para não sentir-me tentada a atacá-los e deliciar-me com aquela gordura saudável da farinha branca que grudaria no meu estômago e em menos de uma hora aumentaria meu peso em 5kg... Resisti. Nem tanto. Tomei vinho. Comi um pedacinho do sanduíche de metro e depois me convenci que não tinha comido praticamente nada o dia todo pra poder “beliscar” alguma coisa na festinha. Ainda bem que fui comedida e não exagerei. Balanço da noite: dois croquetes, duas empadinhas, 6cm do pão de metro. Tô bem.
Ontem senti que meu pé estava doendo um pouquinho. Passei a semana malhando pesado pra reduzir uns dígitos na balança, o que me rendeu uma bolha no dedinho do pé esquerdo. Que sorte. Tive que pegar leve na malhação e só fiz localizada, pra não forçar o pé. Na sexta à noite saí com uma amiga na missão de salvá-la de um amigo Inglês, que de acordo com a capacidade de premonição dela, ele tinha segundas intenções. Eu duvido. Pra mim, o cara é gay. Fomos para um barzinho encontrar com duas primas dela e a tia, e foi chegando um monte de gente. Caí na cerveja. Fiquei altinha. Tinha música ao vivo, um pobre coitado cabeludo – exemplo perfeito da espécie ‘ananaíra do cerrado’ – começou a tocar forró. Eu, com fogo na periquita logo levantei e fui achar parceiros para sacudir o esqueleto (no meu caso, o esqueleto está bem escondido por uma espessa camada de gordura. Prevalece a força da expressão). Lá vou eu dançar. Uma, duas, três músicas. Voltei pra cerveja. Dormi na casa da minha amiga, e quando chegamos famigeradas, atacamos uma cestinha de bolinhos de espinafre. Cama. Depois de dormir só 5 horas, acordei com uma dorzinha no pé. Passei um anti-inflamatório e fomos ao supermercado. Fizemos compras e ela me deixou em casa. O pé doía. Almocei e fui tirar um cochilo – lembra quando a puta me ligou por engano e me acordou? – e meu pé continuou doendo. Resumo: quando voltei da festinha de aniversário, o pé doía para caralho. Hoje acordei manca, praticamente aleijada. Mal conseguia apoiar o pé no chão. Moro com uma amiga e esperei ela acordar para me levar ao Hospital. Nada dela acordar, eu só escutava o nheco-nheco da cama – o namorado dela veio passar o final de semana em casa – mas relaxei. Voltei pra cama. Acordei de novo. Nem sentia mais o pé. Tomamos banho e fomos almoçar num restaurante natural. Me acabei de comer broto de alfafa. Achei um máximo terem feito doce de abóbora com adoçante! Cada ida ao buffet levava 40minutos. Eu parecia uma pata menstruada – por sinal, não desceu – mancando com o prato na mão, na mais bela interpretação do estilo "tá fundo, tá raso". Depois do almoço ela me deixou no Hospital. 40 minutos de espera. Médico meio grosso; afinal, domingo, plantão... Raio-X. Estagiária sendo orientada pelo Radiologista. Tenho paciência. Fiquei babando por um pai que tinha levado o neném para tirar um Raio-X do nariz. O baby caíra com o rostinho no chão. De repente chega a esposa do mais lindo homem de toda aquela sala de espera. Daí a minha cara caiu no chão. Lindo. Lindo. Lindo. A esposa: grávida do segundo filho. Tem amapoa que tem sorte mesmo viu. Peguei a “chapa”. Voltei pro médico. Não tem fratura. Não tem nada. Mas eu to com dor, caralho. Ok, a senhora tem uma calcificação no tendão e está inflamado, provavelmente pelo excesso de atividade física. Vai tomar uma injeção. Perguntei: na bunda? O enfermeiro educadíssimo respondeu: "Sim senhora, na nádega." Balanço da tarde no Hospital: cinco dias de molho. Coincidência? Eram os cinco dias que eu tinha pra perder todo o peso que insiste em habitar meu corpo, e que tem que sumir até sábado. Eu PRE-CI-SO entrar no meu vestido vermelho que comprei na Espanha a qualquer custo. Imagina ficar com as costas de fora e minha banha pulando pra fora do decote?
Estou eu na farmácia; o farmacêutico ficou puxando papo. Depois de ter comprado o remédio que vou tomar a semana toda, fui pra rua esperar minha amiga me buscar. Comçou a fazer frio. Vento frio. Eu esperando, só de camiseta. Claro que tava de calça, só quis dizer que estava sem nenhum casaquinho ao menos. Tô eu lá encostada no poste com a radiografia numa mão, o celular na outra e a sacolinha de remédios (sempre faço "compra do mês" em farmácia, não resisto); passa um carro: gostosaaaa. Ah, vai se fuder, moleque.. eu aqui cheia de dor, morrendo de frio, com o bico do peito duro por causa do vento gelado maldito. Logo depois achei um máximo ter sido chamada de gostosa, mesmo toda desgrenhada encostada num poste depois de passar horas no PS. Eu falo que geminiana é um problema...
Minha amiga não chegava. Comecei a observar duas pombinhas que descobriram comida no chão. Um "Ogro" acabara de deixar cair uma batata tipo chips no chão (porco) e saiu andando. As pombinhas - uma esguia e a outra repolhuda - começaram a bicar a batata. Fiquei revoltada. Por quê as Pombas podem se acabar de comer batata chips e eu não posso? E a maldita da pomba preta era magra! A outra cinza, a mais gordinha, insistiu num pedaço IMENSO de batata que a outra largou pra trás. Pensei comigo: lógico, né, a mais gorda.. vai insistir até comer TODA a batata. Teve uma hora que a batata intalou no bico da bicha, mas ela persistiu até quebrar em minúsculos pedaços e comer. Lazarenta. Odeio pombas.
Agora estou em casa, medicada, curativo na bunda, frio siberiano. Nada pra fazer. Nem pude me jogar na aula de gafieira que estava programada. Tudo bem. Essa semana vou comer menos ainda, já que não poderei fazer atividade física. Arrasada. Tenho que entrar no vestido.

2 comentários:

Unknown disse...

Dudinha, é feio ter inveja de Pomba ... rs
Bjus,
Cordista

Thais - Su disse...

Su, puta que pariu, vai escrever bem assim lá na casa do caral..., Estou muito orgulhosa de vc e escreva sempre que serei uma leitora assídua. Amei a história. fazia muito tempo que não me divertia tanto com uma hitória. Parabéns, vc é ninja. Eu te amo